terça-feira, 8 de junho de 2021

SÉTIMO DIA

 


CORDEL DE LUZ


SÉTIMO DIA


Deus fez o mundo em seis dias!

Disse Moisés o profeta

E no sétimo descansou

Que o homem tudo completa

Cuida então na Natureza

Salva do mal, da vileza

Gaia é mãe dos meus e teus

Salva a floresta que implora

Socorre a fauna e a flora

Protege o planeta agora

A Terra é mãe que deu Deus!

#MerlanioPoeta


Bom Dia com poesia, Meuzamô!


INSCREVE-TE E COMPARTILHA!

https://youtube.com/c/merlanio

segunda-feira, 7 de junho de 2021

Galope pela vida

 


CORDEL DE LUZ


GALOPE PELA VIDA


Há muito mais coisa entre o Céu e a Terra

Que possa pensar a vã filosofia

Disse Shakespeare que muito sabia

A imensa verdade que esta frase encerra

Pobre humanidade que no mundo erra

Esquece que a vida segue sem cessar

Na grande espiral que Deus manda girar

Acordando o ser para o amor e a paz

Curando sua alma nos planos astrais

Cantando galope na beira do mar

MerlanioMaia


Bom Dia com poesia, Meuzamô!


COMPARTILHA!

https://youtube.com/c/merlanio

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

O CAUSO DO CAÇADOR


O CAUSO DO CAÇADOR

Chico Pedrosa

 

O poeta é um escravo

Das coisas que a mente dita

Ela trás ele interpreta

Desdobra, escreve e edita

Depois vai e mostra o povo

Aquele trabalho novo

Tecido em fios de amor

Como Marcolino fez

Quando contou uma vez

O causo do caçador

 

Que na sexta-feira santa

Depois de uma lua cheia

Inventou uma caçada

Na chapada da aldeia

Calçou um par de butina

Preparou a lazarina

E um borná de munição

Motou água na cabaça

Pendurou no “cóiz” da calça

E foi chamar tubarão

 

Tubarão se arrupiou

Olhou pro céu e ganiu

Chamando atenção do dono

Que viu mas pez que não viu

Sem dar importância a data

Caminhou até a mata

Onde caçar começou

As seis até uma hora

Fora apito de caipora

Nenhum sibito piou

 

As duas horas da tarde

Na sombra de um arvoredo

Sentou-se pra descansar

Junto as pedras de um rochedo

Não resistindo ao cansaço

Fez travesseiro dum braço

Até dormir e sonhar

Que um onça valente

Armava na sua frente

Um bote pra lhe pegar

 

Quando ele abriu os olhos

Viu uma onça chegando

Quase rente com o chão

Devagar se preparando

Doida para lhe pegar

Raimundo pegou suar

Apontou-lhe a lazarina

Quando foi puxando o dedo

Lá de cima do lajedo

Ouviu a voz da felina:

 

Seu caçador não atire

Peço por Nossa Sinhora

Não me mate que tô choca

Tenha calma, vá simbora

Quando Raimundo ouviu isso

Valeu-se de Padim Ciço

E fez fiapo no mundo

E o cachorro do lado

Mais de uma hora colado

No calcanhar de Raimundo

 

Doido desorientado

Perdido sem direção

Desabou sob uma moita

Seguido de tubarão

Lá pras tantas despertaram

Frente a frente se olharam

Raimundo se espreguiçou

Se sentou, riscou o chão

Olhou para Tubarão

Deu um suspiro e falou:

 

Meu cachorro velho amigo

Companheiro de jornada

Na vida de caçador

Nunca me assombrei com nada

Já me perdi nas montanhas

Já ouvi vozes estranhas

De quem também se perdeu

Mas hoje foi de lascar

Nunca vi bicho falar

Tubarão disse: NEM EU!

 

Raimundo deu um desmaio

Quando ouviu esta resposta

Tubarão deu um ganido

Botou o rabo nas costa

Sumiu no giro da venta

E até hoje se comenta

Que Raimundo se espanta

Quando relembra o passado

Provando que é pecado

Caçar na Semana Santa!

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

INVENÇÃO DE SATANÁS

 


INVENÇÃO DE SATANÁS

Pompílio Diniz

Diz que Deus nosso Sinhô
Há muntos tempos atraiz
Arrezorvido chegô
Pra fazê seu mundo im paiz
Mas logo nesse momento
Com odaça e atrevimento
Tombém chegô Satanás

Foi aí que Deus falô:
- Qui tu vêi fazê aqui?
Satanás arrespontô:
Eu tombém mi arrezorvi
E vim fazê invenção
Pra ajuda na criação
Si voimicê premiti

Foi assim qui Deus pensô
- O Bem sempre vence o má
E sua obra começo
Sem pro Capeta liga
Começo o seu trabaio
Sem cunvessa e sem impaio
Um de lá ôto de cá

Entonce Deus feiz o dia
Chêi de luz e quilarão
O diabo com agonia
Feiz a noite e a escuridão
Naquela treva sem fim
Ele pôis isprito ruim
Lubisome e assombração

E assim Deus fêiz um cantêro
Di tudo quanto era frô
Nargumas ele pôis chêro
E nôtras beleza e cô
E o diabo vêi de mansim
E tudo quanto era ispim
Nessas prantas simeô

Deus entonce fêiz as água
Fêiz os rios, fêiz o má
E Satanás chêi de mágua
Fêis o fogo pra queimá
Naquela ocasião
Tempestade e furacão
Satanás pôde criá

Deus fêiz o belo e a graça
E deu sentido à razão
Satanás fêiz a cachaça
E tomô logo um pifão
De tão bebo que ficô
Dessa vêiz ele invento
Pulítica de inleição

Deus entonce fêiz os bicho
Fêiz os pêxe e os passarim
E Satanás pru capricho
Num dizispêro sem fim
Dêxô logo em dois sigundo
As sete praga do mundo
Cum todos insetos ruim

O sinhô dano harmonia
A divina inspiração
Fêiz o amor e a alegria
Paiz, bondade, compriensão
O diabo criô mardade
Guerra, fome e farsidade
Óido vingança e ambição

Tava tudo quaje feito
Deus oiô pra criação
Cum seu oiá sastifeito
Pra acaba sua invenção
Feiz seu derradêro invento
Di um barro meio cinzento
E deu-li o nome de Adão

Chamô-li trêis vêiz o nome
Quando ele arrespondeu
Deus entonce dixe: Tome!
Esse mundo é todo seu
Pode dispô à vontade
Si ôvé dificuldade
Já sabe chame pru eu

Mais o homi era dus tais
Qui drumia inté sentado
E certa vêiz Satanás
Li veno im sono cerrado
Ixtraiu-li uma custela
E Adão nem deu pru ela
Veja qui sono pesado

E o bixo Cuma é tinhoso
Da custela qui tiro
Feiz o invento mais perigoso
Qui ele na terra dêxô
Pru quê quando Adão deu fé
Tava na frente a muié
Nunstanti Adão miorô

Tempos dispois foi preciso
Nosso Sinhô vim falá
Nas terra do Paraiso
Vocês num pode ficá
Quando essa muié chegô
Pru quê você num mandô
Na merma hora vortá?

Mas Adão arrespondeu:
Sinhô eu ia mandá
Mas quando ela oiô pra eu
E feiz cum zói um siná
Nessa hora eu fiquei mudo
Ficô ela, cobra e tudo
Sem que eu pudesse falá

Apois todos trêis agora
Um castigo vão levá
Essa cobra vai simbora
A muié pode ficá
Lá fora do paraíso
E pra você cria juízo
Dessa vêiz vai trabaiá

Hái munta gente que diz
Que tudo isso foi preciso
E eles vivero filiz
Apesá dos prejuízo
Pôis Adão dizia inté:
Paraízo sem muié
Num pode sê paraiso!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

BRIGA NA PROCISSÃO



BRIGA NA PROCISSÃO

Autor: Chico Pedrosa

 

Quando Palmeira das Antas
pertencia ao Capitão
Justino Bento da Cruz
nunca faltou diversão:
vaquejada, cantoria,
procissão e romaria
sexta-feira da paixão.

 

Na quinta-feira maior,
Dona Maria das Dores
no salão paroquial
reunia os moradores
e depois de uma preleção
ao lado do Capitão
escalava a seleção
de atrizes e atores

 

O papel de cada um
o Capitão escolhia
a roupa e a maquilagem
eram com Dona Maria
e o resto era discutido,
aprovado e resolvido
na sala da sacristia.

 

Todo ano era um Jesus,
um Caifaz e um Pilatos
só não mudavam a cruz,
o verdugo e os maus-tratos,
o Cristo daquele ano
foi o Quincas Beija-Flor,
Caifaz foi o Cipriano,
e Pilatos foi Nicanor.

 

Duas cordas paralelas
separavam a multidão
pra que pudesse entre elas
caminhar a procissão.

 

Cristo conduzindo a cruz
foi não foi advertia
o centurião perverso
que com força lhe batia
era pra bater maneiro
mas ele não entendia
devido um grande pifão
que bebeu naquele dia
do vinho que o capelão
guardava na sacristia.

 

Cristo dizia: “Ôh, rapaz,
vê se bate devagar
já tô todo encalombado,
assim não vou agüentar
tá com a gota pra doer,
ou tu pára de bater
ou a gente vai brigar.

Jogo já esta cruz fora
tô ficando revoltado
vou morrer antes da hora
de ficar crucificado”.

 

O pior é que o malvado
fingia que não ouvia
além de bater com força
ainda se divertia,
espiava pra Jesus
fazia pouco e dizia:

 

“Que Cristo frouxo é você,
que chora na procissão
Jesus pelo que se sabe
não era mole assim não.

Eu tô batendo com pena,
tu vai ver o que é bom
é na subida da ladeira
da venda de Fenelon
que o couro vai ser dobrado
até chegar no mercado
a cuíca muda o tom”.

 

Naquele momento ouviu-se
um grito na multidão
era Quincas que com raiva
sacudiu a cruz no chão
e partiu feito um maluco
pra cima de Bastião.

 

Se travaram no tabefe,
ponta-pé e cabeçada
Madalena levou queda,
Pilatos levou pancada
deram um bofete em Caifaz
que até hoje não faz
nem sente gosto de nada.

 

Desmancharam a procissão,
o cacete foi pesado
São Tomé levou um tranco
que ficou desacordado,
acertaram um cocorote
na careca de Timóti
que até hoje é aluado.

 

Até mesmo São José,
que não é de confusão
na ânsia de defender
o filho de criação
aproveitou a garapa
pra dar um monte de tapa
na cara do bom ladrão.

 

A briga só terminou
quando o Doutor Delegado,
interviu e separou
cada Santo pra seu lado.

Desde que o mundo se fez,
foi essa a primeira vez
que Cristo foi pro xadrez,
mas não foi crucificado.

FUXICO DE MUIÉ

 

FUXICO DE MUIÉ

(Pompílio Diniz)

 


As muié quando se junta,

nego perpare as urêa,

A história que elas assunta

O diabo inté se arrupêa

Guilermina e Filomena,

Dispois qui vem da novena,

Vão falá da vida alêa...

 

Quando elas duas cumeça

A fuxicagem é sem fim...

Puxano um pé de cunversa

Guilermina diz assim:

 

-          Ô cumade Filomena,

Bota a cabeça aí fora!

Tu, na hora da novena,

Viste o namoro de Orora

Cum o marido de Totonha?

Mas qui bicha severgonha!

Inté os casado namora!

 

- Ora bom basta se vi!

Eu tava juntinho dela,

(Ô cumade, iscuita aqui),

Sabe o qui ele dixe a ela?

Se avexe não, Dona Orora,

Quando fô lá pras dez hora,

Eu pulo a sua janela...

 

- Mas cumade, num me diga!

No artá de Nossa Sinhora?

- Tu pensa qui os homi liga

Os santo quando namora?!

Inquanto os beiço rezava,

Seu zóio num disgrudava

Do zóio de Dona Orora...

 

- E a muié dele num via?

- Mas cuma pudia vê,

Se ela fuço lá na pia,

O tempo todo a fazê

Sinazim pru sacristão

Pra dispois da prucissão

Os dois disaparecê?!...

 

- E a muié do sacristão

Já sabe disso cumade?

- Sabe, mas num liga não

Dêxa o marido a vontade!

Ela é dessa oinião:

Casô-se cum o sacristão

Mas gosta mêrmo é do pade!

 

E pru falá em vigáro,

Tu soube qui Gabriela

Foi se casá cum Genaro

Toda de véu e capela?!

É perciso tê corage

Pois nessora o pade quaje

Batizava o fio dela

 

E pelo qui me contaro

O minino qui nasceu

Num é fio do Genaro

Purrisso logo morreu

Mas a muié de Justino

Diz qua a cara do minino

Tinha as feição de Rumeu!

 

Cumade eu num tenho pena,

Pois Genaro é bobaião!

- Ô cumade Filomena,

Tu num pode falá não,

(O passado já passô)

Mas tu tombem num casô

Nessas merma cundição?!

 

Guilermina, Guilermina!

É mió tu te calá

Veia da língua firina,

Tu só sabe fuxicá?...

Mas tudo isso é dispeito,

Tu fala assim desse jeito

Pru quê num pode casá!...

 

- Pois é mió ser sortêra

Do qui casada cum home,

Pra vivê a vida intera

Cuma tu, passano fome!

Fosse eu tinha vergonha!

Teu marido esse pamonha,

De gente só tem o nome!...

 

A briga nessas artura

Toma a feição deferente:

Cumeça a discumpustura,

Cada veiz mais renitente...

Porém, dispois da novena

Guilermina e Filomena

Vão fuxicá novamente!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

PANDEMIA E NOVA ERA



PANDEMIA E NOVA ERA
MerlanioMaia

Eis o terceiro milênio
E a triste humanidade
Longe da fraternidade
Se mantém mais belicosa
A riqueza produz guerra
O mercado produz fome
Qual Hidra que tudo come
Devorando impiedosa

O sistema é pragmático
E a riqueza é para poucos
Financistas quase loucos
Escravos escravizados
Da miséria faz seu lucro
Robotizando as ações
Empobrecendo as nações
De cidadãos esfaimados

E a guerra encerrando os dias
Leva o ódio pelos lares
Qual Fênix que volta aos ares
Na busca de mais reter
A violência enlouquece
Os humanos desumanos
E é muito triste seus planos
De angariar mais poder

E destroem a natureza
Matam vidas milenares
Armam mentes militares
Que esquecem de defender
E atacam seu próprio mundo
Com requintes de crueldade
E aonde a ganância invade
O ter vale mais que o ser

E a natureza acoada
Vê que a sua harmonia
Vai morrendo a cada dia
Numa hecatombe voraz
Some toda a proteção
Que tinha como guarida
E a vida controla a vida
Com seus gatilhos virais

E o vírus, simples micróbio
Que a Natura controlava
O bioma encapsulava
Reproduz a cada dia
Atingindo o ser humano
Que sintoniza à consorte
E frágil encontra a morte
Compartindo em Pandemia

E o mundo inteiro adoece
A Europa dominada
Rasteja infectada
Perdendo força e poder
E o vírus segue matando
E a América humilhada
Que a morte tomou chegada
Mostrando o real poder

A África perde seus filhos
A Ásia assombrada treme
Toda Oceania geme
Ante esse vírus feroz
E ninguém escuta o pranto
Dos miseráveis da rua
Aonde a dor se faz crua
Na redenção dos após

E os que devem são cobrados
Num misto de medo e dor
O mundo geme de horror
E a humanidade agoniza
É um tempo negro e malsão
Dobrando todo egoísmo
Dominando o hedonismo
Numa atitude precisa

Por onde anda o amor?
Pergunta o Cristo solene
Seu mandamento perene
Que a tudo liberta e soma
Ante o amor tudo se acalma
Toda paz retorna aos lares
Cura a Natura lugares
Onde renasce o bioma

Chega de ódio e de guerra
Feche-se já o mercado
Que o ser humano cansado
Precisa de educação
Desconstruindo o sistema
Cruel sem mãe e sem pai
Que o Evangelho é quem vai
Trazer Regeneração

Silenciem os canhões
As armas e os soldados
De espíritos desarmados
Ao planeta se supera
As dores, perdas de vidas
Por conta do desamor
Sumindo o medo e o terror
Pra que chegue a Nova Era

Se o Cristo ao mundo governa
E acorda os adormecidos
Dando voz aos esquecidos
Há que se ter esperança
A renovar as nações
Fazendo o pranto cessar
E o mundo enfim respirar
Toda paz, toda bonança

Lá onde o ódio não chega
Há solução para tudo
Todo gemer fica mudo
Lá é sempre primavera
Jesus cura novamente
A ganância se desfaz
E a humanidade tem paz
No albor da Nova Era!

---------+++---------

Hoje acordei com este poema que é um grito de alerta e esperança pra todos nós, Meuzamô!

sábado, 6 de junho de 2020

PRECONCEITO II


O LIXO DO PRECONCEITO
Merlanio Maia

Enterre o seu preconceito
Cor da pele não define
Nem diminui o sujeito



A sua vó não retine
Nós somos humanidade
Vê que imbecilidade
A segregação de cor
Fazendo os iguais humanos
Diferentes em seus planos
Semeando o desamor

A triste realidade
É que jovens vem morrendo
Por ter sua pele escura
Perseguição ocorrendo
Sequer oportunidade
Nos empregos de verdade
Os negros e negras têm
Que sociedade horrível
De preconceito terrível
Distanciada do bem

Em tempos bem avançados
Desta tecnologia
Quem aqui pode afirmar
Da pureza da etnia?
Depois de tanta mistura
Quem pode alegar ser pura
Sua raça? E mesmo assim
Ninguém pode segregar,
Perseguir, prejudicar
Pela cor, seria o fim!

Nós somos esses humanos
Temos que ter consciência
Da igualdade da raça
Da etnia e da decência
Para que nos amanhãs
Nossas almas sejam sãs
Sem crueldade ou defeito
Que despertemos agora
Jogando esse lixo fora
Que chamamos PRECONCEITO!

quinta-feira, 21 de maio de 2020

O FILHO DA EXCELÊNCIA

O FILHO DA EXCELÊNCIA
Poeta Amazan




Hoje a nossa polícia
Está muito fiscalizada
Por isso é que cabra ruim
Deixou de levar mãozada
É, porque antigamente
Cabra metido a valente
Quando um soldado pegava
Ficasse com foi num foi
Era cada tapa ôi
Que o mocotó entrançava.

Hoje a polícia não pode
Mais dar cacete em ninguém
Cinegrafista amador
Em toda janela tem.
Mas antes tinha uns soldado
Daquele mal encarado
Na rota da bacurau
Que andava cum farnezim
Procurando cabra ruim
Pra dar um samba de pau.

Até que um certo dia
Às duas da madrugada
O quartel passou um rádio
A bacurau foi chamada
Pra ir prender um rapaz
Que andava tirando a paz
E o sono do pessoal
Com o som do carro ligado
Passando em sinal fechado
E dando cavalo-de-pau.

A bacurau fez fiapo
Para o local indicado
Não demorou encontrar
O rapaz embriagado
Tinha descido do carro
Tava comprando cigarro
Mas quando espiou de lado
Viu o camburão parando
E o soldado pulando
Já com o braço levantado.

Foi pulando e foi dizendo
_ Teje preso, seu safado
Mas antes eu vou lhe dar
Um murro tão condenado
Que tu vai rolar no chão.
Aí o boy disse: _Meu irmão
Tenha calma, tu tá quente
Bater em mim ninguém vai
Senão eu conto a meu pai
O juiz Manoel Vicente.

O soldado deu um freio
Que o coturno cantou
Uma travada no braço
Que o cotovelo estalou.
Aí o cabo disse: _ Junim,
Rapaz, tu aqui sozim
Essa hora biritando
Vamo pra casa, danado
Teu pai tá preocupado
E a gente lhe procurando!

Aí levaram Junim pra casa
Bateram numa janela
Manoel Vicente saiu
Com os ói chei de remela.
Aí o cabo disse: _ Doutor
Esse filho do senhor
Estava um pouco alterado
Não podíamos prendê-lo
Achamos melhor trazê-lo
Em casa ele está guardado.

E nisso Manoel Vicente
Nem sabia o que fazer
Olhando para a polícia
Começou a agradecer:
Ô, que polícia educada
_ Muito bem rapaziada
Gostei da iniciativa
Quando de mim precisar
Basta só me procurar
Lá na Liga Desportiva.

O soldado franziu a testa
E virou como um girassol
Você está me dizendo
Que é juiz de futebol?!
Pobre de Manoel Vicente
Respondeu todo contente:
_ Sim, o melhor do estado!
Aí não disse mais nada
Levou uma burduada
Que caiu desacordado.

Deram um cacete em Junim
Que o mijo espirrou no chão
Jogaram os dois pelo fundo
Das calças no camburão
Pobre de Manoel Vicente
Preso inocentemente
Sem ter feito nada errado
Junim sem uma pestana
E os dois passaram a semana
Vendo o sol nascer quadrado.

A REVOLTA DAS JUMENTAS


A REVOLTA DAS JUMENTAS

Poeta Amazan

Quem primeiro inventou greve
Aqui em cima do chão
Foi um lote de jumentas
Até com certa razão
É que Deus tava criando
Seus animais e soltando
Uns com urro, outros com berro
E por muito ter trabalhado
Sentiu-se um pouco cansado
Porque ninguém é de ferro.

Deus estava terminando
De inventar o jumento
Mas resolveu descansar
Determinado momento
Chamou um anjo importante
Que era seu ajudante
E amigo particular
E lhe disse com capricho
Termine aqui esse bicho
Que eu vou ali descansar.

E quando Deus retornou
Do seu descanso sagrado
Deu de cara com o jumento
Que já tava terminado
Mas notou logo um defeito
E disse assim desse jeito:
"Rapaz num tem jeito não,
só dá tempo eu me ausentar,
pro negócio desandar
no setor da criação."

É que o seu ajudante
Concluindo o animal
Deixou aquele negócio
Meio desproporcional
Metro e "mei" de comprimento
Maior do que o jumento
Chega passava da venta
Deus disse: "Num presta não,
que não vai ter posição
dele subir na jumenta."

O anjo disse: "Eu ajeito,
Comigo não tem fracasso,
É só pegar uma faca
E tirar aqui um pedaço."
As jumentas escutando,
Foram logo se juntando
E num desejo comum,
Disseram logo em seguida:
"Vê se arruma outra saída,
cortar? De jeito nenhum."

E fizeram uma assembléia
Colocaram em votação
Ganhou por unanimidade
A frase do "corta não"
Com a confusão criada
Deus viu que da enrascada
O anjo não sairia,
Aí entrou em ação
Pra mostrar a dimensão
Da sua sabedoria.

A marreta de dois quilos
Pediu para alguém trazer
E disse: "Segura o jegue,
que a gente vai rebater."
Aí baixou a pancada
Dava cada marretada
Chega esquentava a marreta
E o jegue até hoje em dia
Possui a mercadoria,
Da forma de uma corneta