sábado, 6 de junho de 2020

PRECONCEITO II


O LIXO DO PRECONCEITO
Merlanio Maia

Enterre o seu preconceito
Cor da pele não define
Nem diminui o sujeito



A sua vó não retine
Nós somos humanidade
Vê que imbecilidade
A segregação de cor
Fazendo os iguais humanos
Diferentes em seus planos
Semeando o desamor

A triste realidade
É que jovens vem morrendo
Por ter sua pele escura
Perseguição ocorrendo
Sequer oportunidade
Nos empregos de verdade
Os negros e negras têm
Que sociedade horrível
De preconceito terrível
Distanciada do bem

Em tempos bem avançados
Desta tecnologia
Quem aqui pode afirmar
Da pureza da etnia?
Depois de tanta mistura
Quem pode alegar ser pura
Sua raça? E mesmo assim
Ninguém pode segregar,
Perseguir, prejudicar
Pela cor, seria o fim!

Nós somos esses humanos
Temos que ter consciência
Da igualdade da raça
Da etnia e da decência
Para que nos amanhãs
Nossas almas sejam sãs
Sem crueldade ou defeito
Que despertemos agora
Jogando esse lixo fora
Que chamamos PRECONCEITO!

quinta-feira, 21 de maio de 2020

O FILHO DA EXCELÊNCIA

O FILHO DA EXCELÊNCIA
Poeta Amazan




Hoje a nossa polícia
Está muito fiscalizada
Por isso é que cabra ruim
Deixou de levar mãozada
É, porque antigamente
Cabra metido a valente
Quando um soldado pegava
Ficasse com foi num foi
Era cada tapa ôi
Que o mocotó entrançava.

Hoje a polícia não pode
Mais dar cacete em ninguém
Cinegrafista amador
Em toda janela tem.
Mas antes tinha uns soldado
Daquele mal encarado
Na rota da bacurau
Que andava cum farnezim
Procurando cabra ruim
Pra dar um samba de pau.

Até que um certo dia
Às duas da madrugada
O quartel passou um rádio
A bacurau foi chamada
Pra ir prender um rapaz
Que andava tirando a paz
E o sono do pessoal
Com o som do carro ligado
Passando em sinal fechado
E dando cavalo-de-pau.

A bacurau fez fiapo
Para o local indicado
Não demorou encontrar
O rapaz embriagado
Tinha descido do carro
Tava comprando cigarro
Mas quando espiou de lado
Viu o camburão parando
E o soldado pulando
Já com o braço levantado.

Foi pulando e foi dizendo
_ Teje preso, seu safado
Mas antes eu vou lhe dar
Um murro tão condenado
Que tu vai rolar no chão.
Aí o boy disse: _Meu irmão
Tenha calma, tu tá quente
Bater em mim ninguém vai
Senão eu conto a meu pai
O juiz Manoel Vicente.

O soldado deu um freio
Que o coturno cantou
Uma travada no braço
Que o cotovelo estalou.
Aí o cabo disse: _ Junim,
Rapaz, tu aqui sozim
Essa hora biritando
Vamo pra casa, danado
Teu pai tá preocupado
E a gente lhe procurando!

Aí levaram Junim pra casa
Bateram numa janela
Manoel Vicente saiu
Com os ói chei de remela.
Aí o cabo disse: _ Doutor
Esse filho do senhor
Estava um pouco alterado
Não podíamos prendê-lo
Achamos melhor trazê-lo
Em casa ele está guardado.

E nisso Manoel Vicente
Nem sabia o que fazer
Olhando para a polícia
Começou a agradecer:
Ô, que polícia educada
_ Muito bem rapaziada
Gostei da iniciativa
Quando de mim precisar
Basta só me procurar
Lá na Liga Desportiva.

O soldado franziu a testa
E virou como um girassol
Você está me dizendo
Que é juiz de futebol?!
Pobre de Manoel Vicente
Respondeu todo contente:
_ Sim, o melhor do estado!
Aí não disse mais nada
Levou uma burduada
Que caiu desacordado.

Deram um cacete em Junim
Que o mijo espirrou no chão
Jogaram os dois pelo fundo
Das calças no camburão
Pobre de Manoel Vicente
Preso inocentemente
Sem ter feito nada errado
Junim sem uma pestana
E os dois passaram a semana
Vendo o sol nascer quadrado.

A REVOLTA DAS JUMENTAS


A REVOLTA DAS JUMENTAS

Poeta Amazan

Quem primeiro inventou greve
Aqui em cima do chão
Foi um lote de jumentas
Até com certa razão
É que Deus tava criando
Seus animais e soltando
Uns com urro, outros com berro
E por muito ter trabalhado
Sentiu-se um pouco cansado
Porque ninguém é de ferro.

Deus estava terminando
De inventar o jumento
Mas resolveu descansar
Determinado momento
Chamou um anjo importante
Que era seu ajudante
E amigo particular
E lhe disse com capricho
Termine aqui esse bicho
Que eu vou ali descansar.

E quando Deus retornou
Do seu descanso sagrado
Deu de cara com o jumento
Que já tava terminado
Mas notou logo um defeito
E disse assim desse jeito:
"Rapaz num tem jeito não,
só dá tempo eu me ausentar,
pro negócio desandar
no setor da criação."

É que o seu ajudante
Concluindo o animal
Deixou aquele negócio
Meio desproporcional
Metro e "mei" de comprimento
Maior do que o jumento
Chega passava da venta
Deus disse: "Num presta não,
que não vai ter posição
dele subir na jumenta."

O anjo disse: "Eu ajeito,
Comigo não tem fracasso,
É só pegar uma faca
E tirar aqui um pedaço."
As jumentas escutando,
Foram logo se juntando
E num desejo comum,
Disseram logo em seguida:
"Vê se arruma outra saída,
cortar? De jeito nenhum."

E fizeram uma assembléia
Colocaram em votação
Ganhou por unanimidade
A frase do "corta não"
Com a confusão criada
Deus viu que da enrascada
O anjo não sairia,
Aí entrou em ação
Pra mostrar a dimensão
Da sua sabedoria.

A marreta de dois quilos
Pediu para alguém trazer
E disse: "Segura o jegue,
que a gente vai rebater."
Aí baixou a pancada
Dava cada marretada
Chega esquentava a marreta
E o jegue até hoje em dia
Possui a mercadoria,
Da forma de uma corneta

terça-feira, 28 de abril de 2020

NESSA VIDA TUDO PASSA


NESSA VIDA TUDO PASSA
Merlânio Maia

Tudo passa nessa vida
Menos o amor do divino
Passa a dor, passa a aflição,
Passa a paixão de inopino
Passa o riso e passa o choro
E passa o poder do ouro
Passa a beleza e a graça
Passa o presente e o futuro
E o desespero mais duro
Nessa vida tudo passa

Passa orgulho e egoísmo
Passa toda vaidade
Passará a ignorância
Passará toda maldade
Com os conceitos fugidios
Passarão juízo e brios
Vai passar toda desgraça
Quando passar a esperança
Passa o velho e a criança
Nessa vida tudo passa

Passa a riqueza e o poder
Passa  dinheiro e a ilusão
Diante de nossos olhos
O engano e o mal passarão
Vai passando a existência
O corpo e sua aparência
E antes que o mundo desfaça
Ilumina os atos teus
Pois além do amor de Deus
Nessa vida tudo passa!

PAÍS SEM NAÇÃO


O PAÍS SEM NAÇÃO
Merlanio Maia

Um país sem competência
De cuidar da sua história
Sem presente e sem futuro
Sem soberania ou glória
A cada ano um museu
Vira pó, cinzas e breu
Deixando o povo sem chão
Sem memória e sem futuro
Somente este ódio impuro
Forja um país sem nação!

Um país que seus políticos
São sanguessugas vampiros
Como não têm ideal
Queimam museus e papiros
Nada sabem de história
Não alimentam a memória
Sonham só com seu cifrão
São cupins cuja madeira
É a riqueza brasileira
Seu país é sem nação!

E o povo deste país
Que os elege de novo
É um povo sem futuro
É um espectro de povo
Vende o voto e vende a alma
Se vende e vive na palma
Da mão deste "Grande Irmão"
O resultado está aí
Incêndios aqui e ali
Nesse país sem nação!

Brasil desperta depressa!
Brasil acorda do sono!
Não vês que o mal se alastra
Que dormes no abandono?
Mostra o gigante de pé
Ensina ao teu povo a fé,
A esperança e a ação
Prende o ladrão e o corruto
Dá o teu grito resoluto
Solta teu braço impoluto
E faz-te PAÍS-NAÇÃO!
MM


CORDEL QUE SE COME


CORDEL QUE SE COME
Merlanio Maia

CHAPINHA DO SERTÃO

Cabavéi vou te ensinar
Delícias do meu torrão
A culinária divina
De lambê os beiço e as mão
É o que que dá sustança a nóis
E faz cresce a nossa voiz
Dos Sabores do Sertão

Hoje quero te amostrar
Como faz uma CHAPINHA
Que é CHAPINHA DO SERTÃO
Carne de Sol delicinha
A comida favorita
De Sá Maria Bonita
E seuzamô Lampião

Apois bem vá anotano:
CUBOS DE CARNE DE SOL
250 grama
Litro de ÓLEO GIRASSOL
A CEBOLA grande e meiga
Com mais QUEIJO DE MANTEIGA
E dois OVOS do paiol

Com duas cuia de sopa
De MEL grosso do engenho
Mais 150 gramas
De farinha no empenho
Farinha de rosca ou trigo
Me obedeça que eu te digo
Tu vai ver o desempenho

Bote essa carne de sol
Duas hora na água fria
Troque as águas duas veiz
Pro sal sair na porfia
Dispois frite em frigidêra
A carne e a cebola intêra
Na Mantêga da Terra, ispia!

Avia qui enquanto isso
Passe o queijo nas farinha
De trigo e dispois de rosca
Passe em ovos de galinha
E frite no óleo quente
É de arrupiar a gente
Que passar pela cozinha

Por fim jogue a carne e o queijo
E a cebola no tacho
Junto ao queijo de manteiga
Que vai ser um esculacho
Sirva assim com mel por cima
É Cuma a poesia e a rima
De endoidar as feme e os macho!

A MULHER QUE HOJE EU AMO


A MULHER QUE HOJE EU AMO
Merlânio Maia

A mulher que hoje eu amo
Tem histórias pra contar
Tem beleza a dar de sobra
E é de muito admirar
Seu corpo é um monumento
Sua atitude é um fomento
De força descomunal
A mulher que hoje eu amo
Tem o belo que reclamo
E o brilho que a faz real

A mulher que hoje eu amo
Tem as marcas das raízes
Tem estrias, (quem se importa?)
No ventre tem cicatrizes,
São medalhas das vitórias
Das suas lutas e glórias
Que a fazem linda e maior
Muito amou, muito se deu,
Construiu o império seu
Nada teme. É a melhor!

A mulher que hoje eu amo
Tem risada escancarada
Sabe que a vida é bem mais
Que os percalços da estrada
Nada é impossível pra ela
Como a estrela mais bela
Brilha mais na noite escura
Segue apontando o caminho
Pra que eu não siga sozinho
Me beija e se faz ternura!

A mulher que hoje eu amo
Olha a vida com ternura
Tem muito amor para dar,
Sua alma é mais linda e pura
Sabe ser esta guerreira
E é esta amada primeira
Do poeta e dos versos seus
Tem curvas de perdição
Xodó do meu coração
É a mulher que me deu Deus!


segunda-feira, 17 de junho de 2019

A BENÇA

A BÊNÇA!
Merlanio Maia

Quando eu 'inda era menino
Do pensamento não sai
Eu dizia bença, mãe!
Bença vô! A bença pai!
E era uma alegria
Dizer: a bença titia!
E agradeço ao meu passado
De tanta bença pedir
Eu consegui progredir
E sou muito abençoado!

E a vocês jovens de hoje
Aprendam esta lição
Quando alguém lhes abençoa
Não pensem ser tradição
É o exercício da fé
Que mantem a gente em pé
Independente de crença
Façam como este poeta
Que tem a vida completa
Já acorda dizendo: A BENÇA!!!!!!

Bom dia, Meuzamô!

sexta-feira, 1 de março de 2019

CORDEL CARNAVAL É ALEGRIA













CARNAVAL É ALEGRIA
Merlânio Maia

Cabavéi o Carnaval
Vem chegando por aí
Não me compreenda mal
Mas te peço por aqui
Vá devagar com a bebida
Curta a vida na medida
Mas cuidado com a porfia
Pois quem abusa da sorte
Pode se encontrar com a morte
Carnaval alegria

Quando chega o carnaval
Tem gente que estraga a vida
Sai como um desesperado
Sem limite nem medida
Dirigindo embriagado
Se tornando um enjoado
Soltando sua energia
De perturbador da vez
Pare dessa estupidez
Carnaval é alegria

Outros pulam feito doidos
Fugidos de um hospício
Pintam a boca e requebram
Sem respeitar outro ofício
Acham que têm o direito
De abusar do preceito
De estarem nessa folia
Agridem LGBTs
Saiam do armário de vez
Que Carnaval é alegria

Evite essa violência
Seja o folião da Paz
Seja a foliã contente
Que já tem ódio demais
Mude a música mude o tom
Acabe o mal desse som
Que amanhã é outro dia
Não queira se arrepender
Que o amor possa nascer
Carnaval é alegria!

Não sou contra o Carnaval
Não sou contra o folião
Que brinca mas com respeito
Que se mantém cidadão
Não joga lixo na rua
Brinca, bebe e segue a sua
Vibe de paz e alegria
Esse curte e o carnaval
Como o folião real
Carnaval é alegria!

Se for beber não dirija
Para não ser dirigido
Pra prisão ou pro hospital
Ou até ser digerido
Se dirigindo pro além
Lembre: sempre tem alguém
Querendo sua harmonia
Deixe o carro para quem
Não bebe e segue no bem
Carnaval é alegria!

Vá viva e deixe viver
Respeite o velho e a criança
Respeite toda mulher
Respeite quem brinca e dança
Se a moça lhe disser não
Não é não, preste atenção
Não bote o mal na folia
Respeito é bom e é legal
Viva o bem, esqueça o mal
Carnaval é alegria!

domingo, 13 de janeiro de 2019

O GOLPE DE ANA ROSA NO BARBA AZUL DO SERTÃO

Autor: Merlânio Maia

Quem de fato tem juízo
Não vai dar trela a mentira
Nem bulir com o egoísmo
Nem com orgulho, ou a ira
Mas um dos grandes defeitos
Que acontece aos eleitos
É a ganância e a ambição
Que esta ajunta todo vício
E joga no precipício
Todo incauto sem perdão

Pois bem, hoje conto a história
Do Barba Azul do Sertão
Foi Zeca de Chico Zuca
Nasceu pra sedução
Aonde mulher passasse
Ou que com ele cruzasse
Ele já atocaiava
Com a conversa maneira
Abrindo certa clareira
Seduzia e abocanhava

Mas nada sério queria
Era rico o afamado
Herdara do Chico Zuca
Muita riqueza e guardado
Muita terra e gado manso
Seus Neloris um avanço
De prêmios ganhou milhões
E sozinho triplicou
A fortuna que ganhou
Tinha tino pra cifrões

Tinha rede de farmácias,
Rede de supermercados,
Distribuidoras mil
Nesse nordeste sagrado
Mil postos de gasolina
De Formosa até Campina
Seu gado andava em suas terras
E ele mais se expandia
Pro Sul, Sudeste e seguia
Pois riqueza nunca encerra

Tinha fazenda no Acre,
Rondonia e no Pará
Criava Búfalo no Norte
Que infestava o Amapá
Minas de ouro e de prata,
Muito dinheiro na lata,
No banco e na consciência
Mas sem sorte com mulher
As seduzia e sequer
Tinha depois paciência

Coisa de admirar
Aonde Zeca punha a mão
Virava lucro e dinheiro
Era o Midas do Sertão
Mas o dinheiro somente
Deixa o cabra diferente
E dinheiro sem saúde
Não serve mais para nada
E o cabra segue a jornada
Mudando de atitude

Foi o caso de seu Zeca
O coração deu-lhe um tranco
Que quase que ele vai
Morar sob o túmulo branco
Mas conseguiu se salvar
E o médico foi lhe falar
Nesse dia torturante:
- É Zeca seu coração
Não tá prestando mais não
Agora só no transplante!

Ele então desesperou
Pois não tinha nem herdeiro
Pai e mãe já se passou
Seus filhos eram dinheiro
Mas Dr. Charles num instante
Disse: A fila de transplante
Já tem seu nome na espera
Peça a ajuda ao Pai do Céu
Que é dele esse papel
Pra lhe manter cá na esfera

Quem foi Zequinha na vida
Começou sentir saudade
Das mil e uma mulheres
Das farras em mil cidades
O Barba Azul do Sertão
Caiu numa solidão
Chega dá pena falar
Tanto bem acumulado
Para tudo quanto é lado
E a morte no calcanhar

Mas a vida dá mil voltas!
Na cidade de Formosa
Onde morava Zequinha
Também vivia Ana Rosa
No auge dos vinte anos
Com tanta ambição nos planos
Não suportava a pobreza
Soube daquela tragédia
E resolveu fazer média
Buscando ganhar nobreza

Passou a ir à Igreja
Na missa que Zeca ia
Ajudava ao Padre João
Cantava na liturgia
Fazia todo dever
Tudo pra Zeca lhe ver
Como se vê uma santa
E o padre já admirava
A irmã que ali chegava
Pra tarefa que era tanta

Era lindo aquele ser
De coração venenoso
O corpo era uma viola
Tinha os cabelos sedosos
Seios fartos, pele lisa,
Boca carnuda e precisa
Pescoço esguio e bem feito,
Cintura fina e o bumbum
Feitiço pra qualquer um
Perder compostura e jeito

A Igreja enchia de jovens
Na missa que Ana ia
Ficava gente lá fora
Na hora da liturgia
E Ana fazia a leitura
Da Igreja à Prefeitura
Enchia de gente em frente
Os maridos pra espiar
E as mulheres pra brigar
Por causa daquela crente

Por onde Ana passava
Os homens se perturbavam
O padre e até as beatas
Junto a ela ruborizavam
Mas Padre João muito atento
Disse: - Arrume um casamento
Você nasceu para o lar.
E Ana Rosa tão discreta
Com a armadilha completa
E o plano a funcionar

Um dia confessa ao Padre:
- Sinto tanta compaixão
Pelo caso de seu Zeca
É quase amor, Padre João!
E o padre caiu na treta
E foi tocar a retreta
Pra Zequinha em cor de giz:
- Não há esposa melhor
Nem com o coração maior
Case e seja bem feliz!

Zeca nem acreditou:
- Padre e se for armação?
O Padre disse: Não é!
Case com separação
De bens e depois verá
Ponho a mão no fogo já
Velará por noite e dia
Você está vivendo a esmo
Já que não tem ninguém mesmo
Viverão de alegria

Zeca com o coração fraco
Quase em dias de morrer
Resolveu casar com Ana
Se ela aceitasse viver
Sem festa, ou sociedade
Sem nem sair da cidade
Pra lhe amparar e cuidar
Pois sua crise era forte
E não queria com a morte
Sozinho se deparar

E assim mandou chamá-la
E ela chegou muito linda
Carinhosa, afetuosa
E bem mais cheirosa ainda
Falou do encantamento
Que findaria o tormento
Cuidando com devoção
E fez Zeca acreditar
E até com ela sonhar
No jardim do coração

E assim casaram-se os dois
Em singela cerimonia
E a nobreza lhe caia
Mais perfeita que se sonha
E ele pediu mil desculpas
Não consumar por sua culpa
O sonho da jovem esposa
Ele que era um cinquentão
Mas seu pobre coração
Em breve iria pra lousa

E Ana cuidava de Zeca
Como cuidava de si
O rei do Sertão agreste,
Do Brejo e do Cariri
Viu nela um anjo cuidando
E a ela estava amando
Com toda aquela lindeza
Que lhe trazia papinha
E do jardim a cozinha
Reinava a sua beleza

Mas Ana queria mais
Apressar seu passamento
Três anos eram demais
Começou doce tormento
Um dia Zeca a chamou
E ela se apresentou
Pra ele só de calcinha
Foi bomba no coração
E ele agarrou-se ao balão
De oxigênio que tinha

E ela disse: Meu amor
Sou assim, sua todinha!
E Zeca chupando o gás
E o oxigênio não vinha
E ela o beijou no rosto
E ele se encheu de desgosto
Sem revelar seu desejo
E ela ali se vestiu
E nessa hora ele viu
O perigo que é um beijo

E Ana aumentando a dose
Procurando algo no chão
Fazia de quatro pés
E haja dor no coração
Zeca quase a se acabar
E ela tudo a mostrar
Na minissaia curtinha
Às vezes de topless
E os peitos no sobe e desce
Quase matando Zequinha

Um dia ela veio nua
Surpreender o marido
Como um cavalo de índio
Seu olhar verde e enxerido
Sentou no colo de Zeca
Ele soltou a peteca
Do passamento que deu
Só acordou no outro dia
E por trás ela sorria
- “Quase que aconteceu!”

E assim foi o tormento
Agarrado no balão
De Oxigênio no máximo
Pra manter o coração
Mas Ana Rosa malvada
Sempre estava preparada
Para lhe surpreender
E a bicha era tão bonita
Que sua alma estava aflita
Pedindo até pra morrer

Um dia seu médico Charles
Chegou lá de supetão
E disse: Nós conseguimos
O seu novo coração
Colocaram Zeca e Ana
Numa UTI bacana
Que também é avião
Que logo depois seguia
Pra fazer a cirurgia
Transplantando o coração

A operação foi sucesso
Para desgosto de Ana
Diz Charles: É de um atleta
Que morreu esta semana
Sofreu trágico acidente
Com o coração excelente
Você vai ter vida em prosa!
Zeca não pensava em nada
Somente olhava a danada
Da sua esposa Ana Rosa

E foram remédios tantos
Com direito a quarentena
Mas na cabeça de Zeca
Só vinha a linda morena
A nudez daquele dia
O fez sentir a magia
Do coração de atleta
Mas sentia em Ana Rosa
Esvair-se verso e prosa
E foi ficando incompleta

E quanto mais melhorava
Mais Ana entristecia
E ele dizia: - Olha amor
Como a vida renascia
Fique feliz meu pitéu
Que a nossa lua de mel
Eu sonho em comemorar
Pois um coração que ama
Só sai de cima da cama
Quando a vontade passar

E ele já não aguentava
pois quando o povo saia
Ele pegava Ana Rosa
E as carícias que fazia
Beijava a linda na boca
E já com a cuca louca
Ela mandava parar:
- Amor o seu coração
Não está curado não
E pode tudo estragar!

Ana Rosa provocante
Logo logo se acalmou
Pois viu nele um jegue errante
O seu leão se soltou
Da jaula e até da corrente
E agora daqui pra frente
Nem sabia do final
Resolveu aguentar
Pra ninguém desconfiar
Do seu plano marginal

Faltando só quatro dias
O médico lhe liberou
E ao chegar no hotel
Zequinha já deu seu show
O seu problema real
Era maior que o normal
Na carência era Zecão
No começo delicado
Que ela viu seu estado
E agradou seu coração

Mas o problema de Zeca
Era igual ao cachaceiro
Se bebesse uma bicada
Se soltava o mês inteiro
Zeca era um compulsivo
Enquanto estivesse vivo
Era um ativo voraz
Seus olhares de suspiros
Babando feito vampiros
Como o jegue de DaPaz

O tirinete foi grande
E ela ficou destruída
Para ele ela era um parque
De diversão na subida
Quando esse cabra descia
Quase arrancava a polia
Com sua força abissal
E Ana pagou o boleto
Da ganancia em branco e preto
Naquele reino infernal

Era da cama pra sala,
Da sala para o sofá,
Do sofá para o banheiro,
Era pra lá e pra cá
Zeca morrendo de sede
Só no balanço da rede
Quebrando santo no andor
E ela pedia parada
E ele de alma obcecada:
- Meu amor eu quero amor!

Ana pode conhecer
Cada cerâmica que havia
Naquela bela suíte
Subia e depois descia
E aquele olhar de Zequinha
Da raposa pra galinha
Era de intimidar
E o Brasil de norte a sul
Na fama do Barba Azul
Ana pode comprovar

Graças a Deus chega o dia
De pegarem o avião
O corpo dela doía
Do litoral ao sertão
E Zequinha aperrado
Pra novo tarrabufado
Com sua linda Ana Rosa
Assim a moça aprendeu
Desde o dia que nasceu
Sua ambição pavorosa

O preço que Ana Rosa
Pagou com sua ambição
Foi tão grande e poderoso
Que esqueceu o bilhão
Então mal desembarcou
Disse: Zequinha acabou!
Quero a separação
Zequinha ali concordou
Mas sua fama aumentou
E até hoje ele reinou
O Barba Azul do Sertão!