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terça-feira, 28 de outubro de 2025

O POETA SR.CORDEL EM PROJETO PARA A SALA DE AULA

 


O poeta cordelista paraibano Merlanio Maia, Sr.Cordel, hoje foi levar o Projeto Educa-seguro em Sala de aula na Escola Mathias Freire.

Este Projeto nasceu de uma parceria com SINDSEG e SINCOR com a Secretaria de Educação, que leva educação financeira para os alunos da escola pública municipal.

É sempre muito gratificante cantar e declamar cordéis para as crianças, pois a interação é imensa.
O projeto seguirá para mais escolas, pois é o Cordel levando conteúdo para a vida toda da criançada.
Coisa preciosa é a Arte quando se junta a educação.
Viva o CORDEL!


segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Poeta cordelista Merlânio Maia recebe cidadania pessoense na CMJP

 Poeta cordelista Merlânio Maia recebe cidadania pessoense na CMJP

 13.12.2024
 Secom/CMJP
 Olenildo Nascimento

Homenagem foi proposta pelo vereador Marcos Henriques (PT)

Na manhã desta sexta-feira (13), a Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) realizou uma sessão solene para entrega do Título de Cidadão Pessoense ao músico Merlânio Maia Barbosa. O vereador Marcos Henriques (PT) propôs a honraria e a solenidade, que foi prestigiada por familiares, amigos e colaboradores do homenageado.

Além do vereador, compuseram a mesa de trabalhos a esposa do homenageado e coordenadora do projeto ‘Boneco de Lata’ do Hospital Napoleão Laureano, Raquel Maia; o irmão e professor Bebé de Natércio; o coordenador do Movimento Paz, Almir Laureano; o presidente da Federação Espírita Paraibana, José Neto Batista; o chefe da Divisão de Literatura da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), Ian Pontes; e o artista e amigo Bento Júnior.

“Hoje é um dia de muita alegria para esta Casa. Toda cidade de João Pessoa tem que se alegrar com uma homenagem a uma pessoa da estatura de Merlânio. Ele é um grande nome da cultura paraibana e, além de tudo, é um amigo. No lançamento da minha primeira candidatura, ele fez uma poesia que deu sorte, e que se arrasta até hoje nessa luta por nossa cultura. Isso me marcou muito. Merlânio é um grande referencial da cultura para todos nós, aprendi a admirá-lo e a respeitá-lo. Sempre que preciso de conselhos sobre cultura nordestina recorro a ele”, revelou.

Marcos Henriques ainda destacou que o cordelista tem o sonho de ver a construção de um Museu do Cordel, onde se possa apreciar a cultura nordestina, e ressaltou que, além de artista reverenciado, o agraciado é um excelente homem de família, esposo e pai exemplar e amigo fiel. “Merlânio é um ativista da literatura de cordel e defensor da cultura nordestina. É uma grande honra conceder esse Título de Cidadão de João Pessoa a um filho que exala cultura e tem o nome de Merlânio Maia”, finalizou.

O presidente da Federação Espírita Paraibana, José Neto Batista, parabenizou a Câmara pela iniciativa de conceder o Título em homenagem a um coração tão amigo. “Essa alma sertaneja que Merlânio traz, o faz ser vanguardista. Em suas ideias enxergamos arte, cultura, o norte que guia e nunca falta”, destacou. Ele ainda revelou que o poeta esbanja satisfação na coordenação do projeto Ciranda da Arte e Cultura em Defesa da Paz, que tem levado música e poesia por toda a Paraíba. “É grande a vibração de Merlânio em cada viagem, mas onde mais esteve realizado foi na cidade de Picuí, onde acontece em praça pública, defendendo a máxima do poeta que diz que o artista vai aonde o povo está”, revelou.

O coordenador do Movimento Paz, Almir Laureano, enfatizou o perfil pacificador do homenageado. “Bem-aventurados são os pacificadores e pacificadoras, porque eles serão chamados filhos de Deus. Nesse sentido, assim como Marcos Henriques tornou ele pessoense, nós podemos assinar uma outorga dizendo que ele é filho de Deus por praticar a paz. Ele é um pacificador, e não é de hoje, é de muito tempo”, destacou.

Um dos irmãos do agraciado, Bebé de Natércio, destacou que ele é um “ajuntador” de gente e poesia, e através de uma música homenageou o fraterno artista. “Esse Título é uma espécie de brasão, uma força armorial, sobre a patente de filho de João Pessoa, que já existia em Merlânio”, asseverou.

Da vida do homenageado, Raquel Maia, sua esposa, destacou a criação do Projeto Bonecos de Lata, em 1998, no qual ambos realizam visitas ao setor pediátrico do Hospital de Combate ao Câncer Napoleão Laureano, levando alegria através da arte para as crianças. “É maravilhoso fazer o bem. Parabéns, poeta! O dia é todo seu. A Casa do Povo aqui te homenageia e te dá esse presente grandioso”, parabenizou.

Representando a Academia de Cordel do Vale do Paraíba, Bento Júnior demonstrou o respeito, o carinho e a admiração pelo homenageado, e anunciou: “Merlânio tem muita coisa boa para trazer para o nosso cordel. Fico deveras feliz em dizer que ele será o próximo presidente da Academia de Cordel do Vale do Paraíba. Ele vai conduzir o que a gente já está colocando em prática, que é o Museu do Cordel e fazer com que o cordel seja cada vez mais valorizado”.

Zenaide Carvalho, presidente da Rede Feminina de Combate ao Câncer, salientou sua gratidão ao homenageado: “Merlânio foi o primeiro homem voluntário, ainda na década de 90. É um título muito merecido a essa pessoa tão singela, cheia de paz e amor para dar. A Rede Feminina de Combate ao Câncer é muito grata por ter esse amigo como voluntário, esse boneco de lata que faz a diferença na vida dos pacientes com câncer”.

Poemas, repentes e canções

Parte das homenagens se deu através de poemas, repentes e canções para expressar carinho a Merlânio. O chefe da Divisão de Literatura da Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), Ian Pontes, homenageou o cordelista através de um poema, com imagens destacando a beleza da cidade de João Pessoa e sua relação com o artista. “Este cordelista é um verdadeiro ícone da poesia pessoense, traduzindo em suas palavras a essência da cultura popular. Sua obra reflete não apenas a riqueza cultural, mas também as memórias de figuras ilustres de histórias nordestinas e pitorescas. Essa homenagem firma a importância de Merlânio para a literatura e para a identidade cultural de João Pessoa. Que sua voz continue sendo um farol de esperança e inspiração para todos. Que sua obra permaneça viva nas páginas da história da nossa amada João Pessoa”, ensejou.

Já o repentista, cordelista e escritor Oliveira de Panelas improvisou um repente em homenagem a Merlânio Maia. “Essa coisa mais linda que ele tem feito na vida, na ida e em toda hora é em que me inspiro, e tudo que ele fez outrora. Merlânio, você nem sabe, que a Paraíba nem cabe, de tão grande que você é. Mas arrumando um jeitinho, com carícia e com carinho, você se une com ela fazendo da sua arte para nós a coisa mais bela”, declamou, referindo-se a Raquel Maia esposa do homenageado.

Arnaldo Mendes, amigo de Merlânio Maia, declamou poesia de autoria própria sobre as qualidades do homenageado. “Um ser humano decente, de qualidades dotado / Um cidadão respeitado, um nordestino valente / Um sertanejo pra frente, homem de luta e coragem / Poeta de grande imagem, que muito nos enternece / Nosso poeta merece, essa tão bela homenagem”, recitou.

O cantor e amigo Adeildo Vieira homenageou Merlânio com a canção ‘Amorério’, de autoria própria. Em seguida, foi apresentado um vídeo com imagens e depoimentos de familiares e amigos que não puderam comparecer à sessão.

O homenageado contou como foi sair de Itaporanga, em meados de 1978, para a Capital, incentivado pela mãe, para que pudesse estudar. Merlânio declamou sua história em forma de poema, intitulado ‘Galope na beira do mar’, desde quando saiu de sua cidade natal, conheceu sua esposa, teve seus filhos, até receber a cidadania pessoense. Ele agradeceu a Marcos Henriques pela propositura e saudou todos que compareceram à homenagem.

“E agora a cidade que eu amo me ama, e faz-me seu filho, pois me adotou / E aquele imigrante que aqui chegou sem jeito, sem forma, sem casa e sem cama, hoje vem completo / Que a vida me chama pra um novo ciclo, hoje a iniciar / De quem já sentia no seu estradar a cidadania / Que chega tão linda, com vocês que amo é mais linda ainda cantando galope na beira do mar”, declamou.

Confira a sessão solene completa, com todas expressões artísticas clicando aqui.

O homenageado

Merlânio Maia é natural de Itaporanga, onde nasceu em 1961. É poeta, cordelista, músico, cantador, declamador e escritor. Desde a década de 1980 realiza um trabalho que alia conhecimento, humor e espiritualidade, dedicando-se especialmente à poética e à educação pela paz. Além dos shows, acumula em seu currículo artístico produções teatrais e atuações, declamações com humor e a idealização do projeto ‘Boneco de Lata’, com o objetivo de levar arte para crianças e adultos internos do Hospital Napoleão Laureano, em João Pessoa.

Entre cordéis, livros de poemas populares e ensaios com outros autores, o artista contabiliza dezenas de publicações, dentre as quais se destacam ‘Cantando e Contando Histórias’, ‘Cordel de Luz’, ‘Poesia Que Canto e Conto’, ‘Contos, Causos e Poesia de Chico Amor Xavier’, ‘Menestrel – o Contador de Histórias’, ‘Poesias de um Cantador’ e ‘Caridade e Outros Poemas’. No que se refere à produção musical, gravou os CDs ‘Meu Sertão Cheio de Graça’, ‘Cantoria de Luz”, “Poemas de Amor e Riso’, ‘Poetas do Meu Apreço’, ‘Cantando e Contando Histórias’ e ‘Cordel de Luz’, esses últimos com poemas declamados dos livros de mesmo nome.

Fonte: https://joaopessoa.pb.leg.br/poeta-cordelista-merlanio-maia-recebe-cidadania-pessoense-na-cmjp/

domingo, 1 de dezembro de 2024

FEIRA DE CORDEL NA FLIPARAHYBA 2024

 


Nos dias 28 a 30 de Novembro de 2024 aconteceu em João Pessoa a FLIPARAHYBA 2024, Feira com diversas Livraria e Editoras paraibanas e, especialmente, a FLICORDEL DA Academia de Cordel do Vale do Paraíba. Os poetas lançaram o Livro Os 100 Anos do Pavão Misterioso, além dos Cordéis novos.

A FEIRA DO CORDEL esteve animada e manteve a alegria do Evento, com as declamações improvisadas em rodas de declamação e o encantamento da Feira.

Estiveram presentes da poesia popular paraibana ou nordestina: o poeta cordelista Merlanio Maia Sr. Cordel, Robson Jampa, Arnaldo Mendes, Claudete Gomes, o xilogravurista Mané Gostoso, Bento Júnior, Anneecy Venancio, Raniery Abrantes, Orlando Otávio, Fabio Mozart e Dalmo Oliveira.

Mais tarde os artistas Chico César, Sandra Belê e Jessiê Quirino fizeram seus Shows para a multidão que se aglomerou por lá.

Tomara que ainda venham muito mais FLIPARAHYBAS por aí!!!

















 

terça-feira, 17 de maio de 2011

O DEZ RÉIS DO GOVERNO = LEANDRO GOMES DE BARROS

O DEZ RÉIS DO GOVERNO

Apresentamos um folheto raríssimo do mestre Leandro Gomes de Barros, publicado em 1907. A grita é contra a cobrança abusiva de impostos na República Velha. Pelo visto, as coisas não mudaram muito de lá para cá... Um detalhe importante: na capa da publicação aparecem alguns agentes (revendedores) dos folhetos de Leandro. Tudo indica que ele foi o primeiro a criar esse sistema de distribuição e chegou a ter agentes até no Acre. Como o leitor pode notar, mantivemos a grafia original do folheto:

O dezréis do Governo
(Leandro Gomes de Barros)

Conversavam dous vizinhos
Moradores de um sobrado
Exclamou, um oh! vizinho!
Já viu o que tem se dado?
O quê? - Perguntou o outro
Os 5 réis do estado.

Pergunta outro vizinho
Não é esse do vintém?
É um imposto damnado
Que não escapa ninguém,
É peior do que bexiga
Não repara mesmo alguém.

Bexiga ainda tem vacina
Que um outro sempre escapa
Mais esse imposto d’agora!
Só a doutrina do Papa
Qualquer cousa que se compra
Os fiscais dão mão de raspa.

Não me recordo do dia
Já estraguei a lembrança
Meu tio tem avó em casa
Foi fazer uma mudança
Pois para tirar a velha
Foram com ella a balança.

Morreu uma italiana
No pateo de São José
Pesavam cento e dez quilos
Os bichos de cada pé,
Foi pesada e pagou tudo
Veja o mundo como é.

O carcamano pai d’ella
Humilde que só um réu
Dizia senhor perdoe-me
Isso faz chamar o céo,
Disse o fiscal faz lá nada
Isto aqui é um pitéu.

Senhor! Exclamava o velho
Não tem isso nem aquilo
Dizia serio o fiscal
Aqui não escapa um grilo,
Á de pagar o estado
Cinco réis por cada kilo.

Outro italiano velho
Que vivia aqui na praça
Com dez kilos de remendo
Que tem no fundo da calça,
Quis sahir para a Italia
E não pode sahir de graça.

O gringo velho exclamava
Lançando um olhar no mundo
Oh! Senhor! este Brasile
É um abismo profundo,
Eu hei de levar a calça
Mas hei de deixar o fundo.

Comprou 3 caixas de flandre
Um funileiro atrasado
Ia sahindo escondido
Levando o flandre guardado
Disse um fiscal não senhor
Seu flandre á de ser pesado.

Nosso Brasil hoje está
Como quando inda era inculto
Quem foi quem já viu pagar
Por um meio absoluto?
Pesar-se em meio da praça
Até fumo de matuto!

Eu já tive uma idéia
Encuti no pensamento
Quando entrar outro governo
A novo regulamento,
Eu creio que inda se pesa
Chuva, sol, poeira, e vento.

Não sei o que descubram mais
Para acabrunhar o povo
É medonho o disparate
Que traz o governo novo
Fica tudo igual ao pinto
Que morre dentro do ovo.

Antes de haver eleição
Só vê-se é prometimento
Dizerem tudo melhora
Muda-se o regulamento
A melhora é augmentarem
Do que está sento por sento.

O mundo vai tão errado
E a cousa vai tão feia
A garantia do pobre
É ponta-pé e cadeia,
As creanças já não sabem
O que é barriga cheia.

A Semana tem seis dias
Quem quiser andar direito
Há de dar dous ao estado
E dois e meio ao prefeito,
E não á de se queixar
Nem ficar mal satisfeito.

O commercio nada perde
Ganha com isso tambem
Cresse cinco réis de imposto
Elle cá sobe um vintem,
E diz: chore quem chorar
Eu não sou pai de ninguem.

Entretanto o Brasileiro
Tem muito o que padecer
O governo que era o unico
Que podia proteger,
Diz: eu enchendo a barriga
Tudo mais pode morrer.

Assim mesmo ha homem
Inda esperando melhora
E vê que a justiça é cega
Disse hontem e nega agora,
E surda não ouve o echo
Do pobre aflicto que chora.
Recife, 1907

LINK - Para visualizar a edição original do folheto:http://docvirt.com/docreader.net/docreader.aspx?bib=RuiCordel&pasta=&pesq=LC6077

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A FÁBULA DAS TRÊS ÁRVORES


A FÁBULA DAS TRÊS ÁRVORES
Merlânio Maia


Contam que havia num bosque
Três árvores bem frondosas
Enfeitando a natureza
Viris, fortes e formosas
Oferecendo os seus galhos
Pra servirem de agasalhos
Aos pequenos passarinhos
Que ali se protegiam
Ali cantavam e faziam
Muito tranqüilos seus ninhos

Desde muito pequeninas
Naquele bosque risonho
Cada uma dessas árvores
Alimentava seu sonho
E daquilo que sonhavam
As três se alimentavam
E bem felizes viviam
Servindo e sempre sonhando
Aos seus sonhos detalhando
E todo o dia repetiam

E a primeira dizia
Olhando o céu estrelado
- Do machado nada temo
Pois serei baú pesado
A guardar grande tesouro
De gema rara e de ouro
De safira e de brilhante
E assim serei lembrada
Por todos serei falada
Desse momento em diante

Dizia a segunda alegre
Olhando o rio grande e forte:
- Que meu sonho aconteça
Mesmo que o machado corte
Pois serei grande Navio
A enfrentar mar bravio
E onde reis, generais
Lendas vivas, me usarão
E de mim se lembrarão
Sem se esquecerem jamais

A terceira olhando o vale
Falou entusiasmada:
- O que temer se meu sonho
É ser grande, admirada
Ficar tão fenomenal
Que quem me vir, afinal
Erga aos céus os olhos seus
Lembre a sua finitude
E mude sua atitude
Lembrando sempre de Deus

E todo o dia essas árvores
Seus sonhos alimentavam
Foram crescendo, crescendo
Tão altas que ao céu fitavam
Mas lenhadores bisonhos
Sem nada entender de sonhos
Usam seus rudes machados
Que perfumados ficaram
Quando as árvores arriaram
Naquele bosque adorado

A primeira é transformada
Não no baú desejado
Mas num cocho tosco e rude
Num estábulo atirado
Alimentando animais
Seu sonho ficou pra trás
E a vida nos fios seus
Segue e ela que é só tristeza
Repleta de incerteza
Pergunta: -Porque, meu Deus?

A segunda é convertida
Simples barco de pescar
Onde humilde pescadores
Adentravam pelo mar
Buscando o seu alimento
A enfrentar chuva e tormento
Toda hora, todo o dia
E ela seguia sem crer
Perguntando a sofrer:
- Por que o meu sonho morria?

E a terceira sonhando
Em crescer no seu propósito
Foi cortada em altas vigas
E atirada num depósito
E o tempo baixa a cortina
O espetáculo não termina
E a árvore é só tristeza
Sem ter seu sonho atendido
Pergunta em seu ser sentido:
- Por que, oh! Mãe Natureza?

Mas numa noite de estrelas
De um céu fenomenal
Cantavam-se melodias
De alegria sem igual
E uma mãe doce, tão linda
Que era tão jovem ainda
Depositou seu filhinho
Um bebê recém-nascido
Naquele cocho vencido
E hei-lo qual sublime ninho

Foi tão grande a alegria
Que a árvore primeira
Enfim tudo compreendeu
E rejubilou-se inteira
Pois nela fora guardado
O tesouro mais sagrado
Que o mundo conheceu
A Terra se iluminou
E um coro do céu cantou:
- É Natal. Jesus Nasceu!

Passaram-se trinta anos
E a árvore-embarcação
Recebe um belo homem
Do mais puro coração
E enquanto ele dormia
A tempestade invadia
Em destruição voraz
Foi quando ele despertou
E a tempestade acalmou
Quando ele disse: - PAZ!

E esta Segunda árvore
Viu o maior soberano
Senhor da Terra e dos céus
Da vida e dos oceanos
O maior conquistador
Dado o seu poder de amor
Pois d’Ele emanava luz
Seu ser passou a sorrir
Sempre, sempre a conduzir
O Cristo de Deus: Jesus!

E mais um pouco de tempo
Vemos a Árvore terceira
Sendo, enfim, utilizada
Na tarde de Sexta-feira
Unida em forma de cruz
Nela pregaram Jesus
Um homem tão iluminado
Tão santo que lhe doía
Mas retorna sua alegria
Vendo o sonho realizado

Três árvores, um só destino
Acreditaram em seus sonhos
Do bosque lá da montanha
Aos seus momentos tristonhos
Cada sonho aconteceu
Mais belo do que nasceu
Mais vivo e cheio de som
Provando a todos nós
Que jamais estamos sós
E tudo o que Deus faz é bom!


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O CAVALO QUE DEFECAVA DINHEIRO


O Cavalo que Defecava Dinheiro
Leandro Gomes de Barros

Uma coisa eu aprendi
que ninguém faz discordância
Riqueza só é um mal
aumentada a importância
Dinheiro não é ruim
O ruim é a ganância

Na cidade de Macaé
Antigamente existia
Um duque velho invejoso
Que nada o satisfazia
Desejava possuir
Todo objeto que via

Esse duque era compadre
De um pobre muito atrasado
Que morava em sua terra
Num rancho todo estragado
Sustentava seus filhinhos
Na vida de alugado.

Se vendo o compadre pobre
Naquela vida privada
Foi trabalhar nos engenhos
Longe da sua morada
Na volta trouxe um cavalo
Que não servia pra nada

Disse o pobre à mulher:
─ Como havemos de passar?
O cavalo é magro e velho
Não pode mais trabalhar
Vamos inventar um "quengo"
Pra ver se o querem comprar.

Foi na venda e de lá trouxe
Três moedas de cruzado
Sem dizer nada a ninguém
Para não ser censurado
No fiofó do cavalo
Foi o dinheiro guardado

Do fiofó do cavalo
Ele fez um mealheiro
Saiu dizendo: ─ Sou rico!
Inda mais que um fazendeiro,
Porque possuo o cavalo
Que só defeca dinheiro

Quando o duque velho soube
Que ele tinha esse cavalo
Disse pra velha duquesa:
─ Amanhã vou visitá-lo
Se o animal for assim
Faço o jeito de comprá-lo!

Saiu o duque vexado
Fazendo que não sabia,
Saiu percorrendo as terras
Como quem não conhecia
Foi visitar a choupana,
Onde o pobre residia.

Chegou salvando o compadre
Muito desinteressado:
─ Compadre, Como lhe vai?
Onde tanto tem andado?
Há dias que lhe vejo
Parece está melhorado...

─ É muito certo compadre
Ainda não melhorei
Porque andava por fora
Faz três dias que cheguei
Mas breve farei fortuna
Com um cavalo que comprei.

─ Se for assim, meu compadre
Você está muito bem!
É bom guardar o segredo,
Não conte nada a ninguém.
Me conte qual a vantagem
Que este seu cavalo tem?

Disse o pobre: ─ Ele está magro
Só o osso e o couro,
Porém tratando-se dele
Meu cavalo é um tesouro
Basta dizer que defeca
Níquel, prata, cobre e ouro!

Aí chamou o compadre
E saiu muito vexado,
Para o lugar onde tinha
O cavalo defecado
O duque ainda encontrou
Três moedas de cruzado.

Então exclamou o velho:
─ Só pude achar essas três!
Disse o pobre: ─ Ontem à tarde
Ele botou dezesseis!
Ele já tem defecado,
Dez mil réis mais de uma vez.

─ Enquanto ele está magro
Me serve de mealheiro.
Eu tenho tratado dele
Com bagaço do terreiro,
Porém depois dele gordo
Não tem quem vença o dinheiro...

Disse o velho: ─ meu compadre
Você não pode tratá-lo,
Se for trabalhar com ele
É com certeza matá-lo
O melhor que você faz
É vender-me este cavalo!

─ Meu compadre, este cavalo
Eu posso negociar,
Só se for por uma soma
Que dê para eu passar
Com toda minha família,
E não precise trabalhar.

O velho disse ao compadre:
─ Assim não é que se faz
Nossa amizade é antiga
Desde os tempo de seus pais
Dou-lhe seis contos de réis
Acha pouco, inda quer mais?

─ Compadre, o cavalo é seu!
Eu nada mais lhe direi,
Ele, por este dinheiro
Que agora me sujeitei
Para mim não foi vendido,
Faça de conta que te dei!

O velho pela ambição
Que era descomunal,
Deu-lhe seis contos de réis
Todo em moeda legal
Depois pegou no cabresto
E foi puxando o animal.
Quando ele chegou em casa
Foi gritando no terreiro:
─ Eu sou o homem mais rico
Que habita o mundo inteiro!
Porque possuo um cavalo
Que só defeca dinheiro!

Pegou o dito cavalo
Botou na estrebaria,
Milho, farelo e alface
Era o que ele comia
O velho duque ia lá,
Dez, doze vezes por dia...

Aí o velho zangou-se
Começou logo a falar:
─ Como é que meu compadre
Se atreve a me enganar?
Eu quero ver amanhã
O que ele vai me contar.

Porém o compadre pobre,
(Bicho do quengo lixado)
Fez depressa outro plano
Inda mais bem arranjado
Esperando o velho duque
Quando viesse zangado...

O pobre foi na farmácia
Comprou uma borrachinha
Depois mandou encher ela
Com sangue de uma galinha
E sempre olhando a estrada
Pré ver se o velho vinha.

Disse o pobre à mulher:
─ Faça o trabalho direito
Pegue esta borrachinha
Amarre em cima do peito
Para o velho não saber,
Como o trabalho foi feito!

Quando o velho aparecer
Na volta daquela estrada,
Você começa a falar
Eu grito: ─ Oh mulher danada!
Quando ele estiver bem perto,
Eu lhe dou uma facada.

Porém eu dou-lhe a facada
Em cima da borrachinha
E você fica lavada
Com o sangue da galinha
Eu grito: ─ Arre danada!
Nunca mais comes farinha!

Quando ele ver você morta
Parte para me prender,
Então eu digo para ele:
─ Eu dou jeito ela viver,
O remédio tenho aqui,
Faço para o senhor ver!

─ Eu vou buscar a rabeca
Começo logo a tocar
Você então se remexa
Como quem vai melhorar
Com pouco diz: ─ Estou boa
Já posso me levantar.

Quando findou-se a conversa
Na mesma ocasião
O velho ia chegando
Aí travou-se a questão
O pobre passou-lhe a faca,
Botou a mulher no chão.

O velho gritou a ele
Quando viu a mulher morta:
─ Esteja preso, bandido!
E tomou conta da porta
Disse o pobre: ─ Vou curá-la!
Pra que o senhor se importa?

─ O senhor é um bandido
Infame de cara dura
Todo mundo apreciava
Esta infeliz criatura
Depois dela assassinada,
O senhor diz que tem cura?

Compadre, não admito
O senhor dizer mais nada,
Não é crime se matar
Sendo a mulher malcriada
E mesmo com dez minutos,
Eu dou a mulher curada!

Correu foi ver a rabeca
Começou logo a tocar
De repente o velho viu
A mulher se endireitar
E depois disse: ─ Estou boa,
Já posso me levantar...

O velho ficou suspenso
De ver a mulher curada,
Porém como estava vendo
Ela muito ensangüentada
Correu ela, mas não viu,
Nem o sinal da facada.

O pobre entusiasmado
Disse-lhe: ─ Já conheceu
Quando esta rabeca estava
Na mão de quem me vendeu,
Tinha feito muitas curas
De gente que já morreu!

No lugar onde eu estiver
Não deixo ninguém morrer,
Como eu adquiri ela
Muita gente quer saber
Mas ela me está tão cara
Que não me convém dizer.

O velho que tinha vindo
Somente propor questão,
Por que o cavalo velho
Nunca botou um tostão
Quando viu a tal rabeca
Quase morre de ambição.

─ Compadre, você desculpe
De eu ter tratado assim
Porque agora estou certo
Eu mesmo fui o ruim
Porém a sua rabeca
Só serve bem para mim.

─ Mas como eu sou um homem
De muito grande poder
O senhor é um homem pobre
Ninguém quer o conhecer
Perca o amor da rabeca...
Responda se quer vender?

─ Porque a minha mulher
Também é muito estouvada
Se eu comprar esta rabeca
Dela não suporto nada
Se quiser teimar comigo,
Eu dou-lhe uma facada.

─ Ela se vê quase morta
Já conhece o castigo,
Mas eu com esta rabeca
Salvo ela do perigo
Ela daí por diante,
Não quer mais teimar comigo!

Disse-lhe o compadre pobre:
─ O senhor faz muito bem,
Quer me comprar a rabeca
Não venderei a ninguém
Custa seis contos de réis,
Por menos nem um vintém.

O velho muito contente
Tornou então repetir:
─ A rabeca já é minha
Eu preciso a possuir
Ela para mim foi dada,
Você não soube pedir.

Pagou a rabeca e disse:
─ Vou já mostrar a mulher!
A velha zangou-se e disse:
─ Vá mostrar a quem quiser!
Eu não quero ser culpada
Do prejuízo que houver.

─ O senhor é mesmo um velho
Avarento e interesseiro,
Que já fez do seu cavalo
Que defecava dinheiro?
─ Meu velho, dê-se a respeito,
Não seja tão embusteiro.

O velho que confiava
Na rabeca que comprou
Disse a ela: ─ Cale a boca!
O mundo agora virou
Dou-lhe quatro punhaladas,
Já você sabe quem sou.

Ele findou as palavras
A velha ficou teimando,
Disse ele: ─ Velha dos diabos
Você ainda está falando?
Deu-lhe quatro punhaladas
Ela caiu arquejando...

O velho muito ligeiro
Foi buscar a rabequinha,
Ele tocava e dizia:
─ Acorde, minha velhinha!
Porém a pobre da velha,
Nunca mais comeu farinha.

O duque estava pensando
Que sua mulher tornava
Ela acabou de morrer
Porém ele duvidava
Depois então conheceu
Que a rabeca não prestava.

Quando ele ficou certo
Que a velha tinha morrido
Botô os joelhos no chão
E deu tão grande gemido
Que o povo daquela casa
Ficou todo comovido.

Ele dizia chorando:
─ Esse crime hei de vingá-lo
Seis contos desta rabeca
Com outros seis do cavalo
Eu lá não mando ninguém,
Porque pretendo matá-lo.

Mandou chamar dois capangas:
─ Me façam um surrão bem feito
Façam isto com cuidado
Quero ele um pouco estreito
Com uma argola bem forte,
Pra levar este sujeito!

Quando acabar de fazer
Mande este bandido entrar,
Para dentro do surrão
E acabem de costurar
O levem para o rochedo,
Para sacudi-lo no mar.

Os homens eram dispostos
Findaram no mesmo dia,
O pobre entrou no surrão
Pois era o jeito que havia
Botaram o surrão nas costas
E saíram numa folia.

Adiante disse um capanga:
─ Está muito alto o rojão,
Eu estou muito cansado,
Botemos isto no chão!
Vamos tomar uma pinga,
Deixe ficar o surrão.

─ Está muito bem, companheiro
Vamos tomar a bicada!
(Assim falou o capanga
Dizendo pro camarada)
Seguiram ambos pra venda
Ficando além da estrada...

Quando os capangas seguiram
Ele cá ficou dizendo:
─ Não caso porque não quero,
Me acho aqui padecendo...
A moça é milionária
O resto eu bem compreendo!

Foi passando um boiadeiro
Quando ele dizia assim,
O boiadeiro pediu-lhe:
─ Arranje isto pra mim
Não importa que a moça
Seja boa ou ruim!

O boiadeiro lhe disse:
─ Eu dou-lhe de mão beijada,
Todos os meus possuídos
Vão aqui nessa boiada...
Fica o senhor como dono,
Pode seguir a jornada!

Ele condenado à morte
Não fez questão, aceitou,
Descoseu o tal surrão
O boiadeiro entrou
O pobre morto de medo
Num minuto costurou.

O pobre quando se viu
Livre daquela enrascada,
Montou-se num bom cavalo
E tomou conta da boiada,
Saiu por ali dizendo:
─ A mim não falta mais nada.

Os capangas nada viram
Porque fizeram ligeiro,
Pegaram o dito surrão
Com o pobre do boiadeiro
Voaram de serra abaixo
Não ficou um osso inteiro.

Fazia dois ou três meses
Que o pobre negociava
A boiada que lhe deram
Cada vez mais aumentava
Foi ele um dia passar,
Onde o compadre morava...

Quando o compadre viu ele
De susto empalideceu;
─ Compadre, por onde andava
Que agora me apareceu?!
Segundo o que me parece,
Está mais rico do que eu...

─ Aqueles seus dois capangas
Voaram-me num lugar
Eu caí de serra abaixo
Até na beira do mar
Aí vi tanto dinheiro,
Quanto pudesse apanhar!..

─ Quando me faltar dinheiro
Eu prontamente vou ver.
O que eu trouxe não é pouco,
Vai dando pra eu viver
Junto com a minha família,
Passar bem até morrer.

─ Compadre, a sua riqueza
Diga que fui eu quem dei!
Pra você recompensar-me
Tudo quanto lhe arranjei,
É preciso que me bote
No lugar que lhe botei!..

Disse-lhe o pobre: ─ Pois não,
Estou pronto pra lhe mostrar!
Eu junto com os capangas
Nós mesmo vamos levar
E o surrão de serra abaixo
Sou eu quem quero empurrar!

O velho no mesmo dia
Mandou fazer um surrão.
Depressa meteu-se nele,
Cego pela ambição
E disse: ─ Compadre eu estou
À tua disposição.

O pobre foi procurar
Dois cabras de confiança
Se fingindo satisfeito
Fazendo a coisa bem mansa
Só assim ele podia,
Tomar a sua vingança.

Saíram com este velho
Na carreira, sem parar
Subiram de serra acima
Até o último lugar
Daí voaram o surrão
Deixaram o velho embolar...

O velho ia pensando
De encontrar muito dinheiro,
Porém sucedeu com ele
Do jeito do boiadeiro,
Que quando chegou embaixo
Não tinha um só osso inteiro.

Este livrinho nos mostra
Que a ambição nada convém
Todo homem ambicioso
Nunca pode viver bem,
Arriscando o que possui
Em cima do que já tem.

Cada um faça por si,
Eu também farei por mim!
É este um dos motivos
Que o mundo está ruim,
Porque estamos cercados
Dos homens que pensam assim.

FIM