AS ROSAS NÃO FALAM
Conforme disse Cartola
As Rosas jamais falaram
Simplesmente exalaram
O perfume da corola
Sem ruído e sem viola
Alimentam beija-flor
Belos enfeites de olor
Dos casais apaixonados
Por isso eu canto entre brados
Que a Rosa é símbolo de amor!
(Merlanio)
VELHO PORTO
Eu cheguei no velho Porto
Atraquei no velho cais
Entre escombros, absorto
Livre de medos reais
Que o medo deixou meus sonhos
Debandaram os demônios
Vendo que não fujo mais
Não há mais nada a perder
Hoje tenho olhos de ver
Que ser velho deu-me a Paz!
Minha crença é de poesia
No meu corpo tatuada
Trago canções na viola
Minha sandália é a estrada
E dentro do meu chapéu
Cada verso de Cordel
Que na vida rabisquei
E ando de alma completa
Todos me chamam Poeta
Nos reinos que atravessei
(Merlanio)
VISITA DO TEMPO
O tempo bateu-me a porta
E encontrou meus olhos baços
Tomou-me assim pelos braços
E disse chegou teu dia
Teus cabelos clareados
Teus ombros mais arqueados
Mas serás abençoado
De verso e sabedoria!
(Merlanio)
REUNIÃO DE TRISTEZA
Há grande formalidade
Na função da despedida
Alguém saído da vida
E a dor adorna a pobreza
Os breus nas almas solenes
Tecem o tecido da noite
E o vento bate em açoites
Na reunião de tristeza
Na reunião de tristeza
Há uma falta profunda
E uma saudade tão funda
Que não cabe a incerteza
Decerto espreme miocárdio
Reacende mágoas antigas
E já nas vozes da cantiga
A Reunião de Tristeza
(Merlanio)

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