Tudo que é pé de conversa tem o seu dedo de prosa!

Este recanto tem a obra dos maiores Poetas do mundo!

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

UM PAÍS SEM NAÇÃO



O PAÍS SEM NAÇÃO
Merlanio Maia

Um país sem competência
De cuidar da sua história
Sem presente e sem futuro
Sem soberania ou glória
A cada ano um museu
Vira pó, cinzas e breu
Deixando o povo sem chão
Sem memória e sem futuro
Somente este ódio impuro
Forja um país sem nação!

Um país que seus políticos
São sanguessugas vampiros
Como não têm ideal
Queimam museus e papiros
Nada sabem de história
Não alimentam a memória
Sonham só com seu cifrão
São cupins cuja madeira
É a riqueza brasileira
Seu país é sem nação!

E o povo deste país
Que os elege de novo
É um povo sem futuro
É um espectro de povo
Vende o voto e vende a alma
Se vende e vive na palma
Da mão deste "Grande Irmão"
O resultado está aí
Incêndios aqui e ali
Nesse país sem nação!

Brasil desperta depressa!
Brasil acorda do sono!
Não vês que o mal se alastra
Que dormes no abandono?
Mostra o gigante de pé
Ensina ao teu povo a fé,
A esperança e a ação
Prende o ladrão e o corruto
Dá o teu grito resoluto
Solta teu braço impoluto
E faz-te PAÍS-NAÇÃO!
MM

quarta-feira, 4 de julho de 2018

A FÁBULA DAS TRÊS ÁRVORES



A FÁBULA DAS TRÊS ÁRVORES
Merlânio Maia



Contam que havia num bosque
Três árvores bem frondosas
Enfeitando a natureza
Viris, fortes e formosas
Oferecendo os seus galhos
Pra servirem de agasalhos
Aos pequenos passarinhos
Que ali se protegiam
Ali cantavam e faziam
Muito tranqüilas seus ninhos

Desde muito pequeninas
Naquele bosque risonho
Cada uma dessas árvores
Alimentava seu sonho
E daquilo que sonhavam
As três se alimentavam
E bem felizes viviam
Servindo e sempre sonhando
Aos seus sonhos detalhando
E todo o dia repetiam

E a primeira dizia
Olhando o céu estrelado
- Do machado nada temo
Pois serei baú pesado
A guardar grande tesouro
De gema rara e de ouro
De safira e de brilhante
E assim serei lembrada
Por todos serei falada
Desse momento em diante

Dizia a segunda alegre
Olhando o rio grande e forte:
- Que meu sonho aconteça
Mesmo que o machado corte
Pois serei grande Navio
A enfrentar mar bravio
E onde reis, generais
Lendas vivas, me usarão
E de mim se lembrarão
Sem se esquecerem jamais

A terceira olhando o vale
Falou entusiasmada:
- O que temer se meu sonho
É ser grande, admirada
Ficar tão fenomenal
Que quem me vir, afinal
Erga aos céus os olhos seus
Lembre a sua finitude
E mude sua atitude
Lembrando sempre de Deus

E todo o dia essas árvores
Seus sonhos alimentavam
Foram crescendo, crescendo
Tão altas que ao céu fitavam
Mas lenhadores bisonhos
Sem nada entender de sonhos
Usam seus rudes machados
Que perfumados ficaram
Quando as árvores arriaram
Naquele bosque adorado

A primeira é transformada
Não no baú desejado
Mas num cocho tosco e rude
Num estábulo atirado
Alimentando animais
Seu sonho ficou pra trás
E a vida nos fios seus
Segue e ela que é só tristeza
Repleta de incerteza
Pergunta: -Porque, meu Deus?

A segunda é convertida
Simples barco de pescar
Onde humilde pescadores
Adentravam pelo mar
Buscando o seu alimento
A enfrentar chuva e tormento
Toda hora, todo o dia
E ela seguia sem crer
Perguntando a sofrer:
- Por que o meu sonho morria?

E a terceira sonhando
Em crescer no seu propósito
Foi cortada em altas vigas
E atirada num depósito
E o tempo baixa a cortina
O espetáculo não termina
E a árvore é só tristeza
Sem ter seu sonho atendido
Pergunta em seu ser sentido:
- Por que, oh! Mãe Natureza?

Mas numa noite de estrelas
De um céu fenomenal
Cantavam-se melodias
De alegria sem igual
E uma mãe doce, tão linda
Que era tão jovem ainda
Depositou seu filhinho
Um bebê recém-nascido
Naquele cocho vencido
E hei-lo qual sublime ninho

Foi tão grande a alegria
Que a árvore primeira
Enfim tudo compreendeu
E rejubilou-se inteira
Pois nela fora guardado
O tesouro mais sagrado
Que o mundo conheceu
A Terra se iluminou
E um coro do céu cantou:
- É Natal. Jesus Nasceu!

Passaram-se trinta anos
E a árvore-embarcação
Recebe um belo homem
Do mais puro coração
E enquanto ele dormia
A tempestade invadia
Em destruição voraz
Foi quando ele despertou
E a tempestade acalmou
Quando ele disse: - PAZ!

E esta Segunda árvore
Viu o maior soberano
Senhor da Terra e dos céus
Da vida e dos oceanos
O maior conquistador
Dado o seu poder de amor
Pois d’Ele emanava luz
Seu ser passou a sorrir
Sempre, sempre a conduzir
O Cristo de Deus: Jesus!

E mais um pouco de tempo
Vemos a Árvore terceira
Sendo, enfim, utilizada
Na tarde de Sexta-feira
Unida em forma de cruz
Nela pregaram Jesus
Um homem tão iluminado
Tão santo que lhe doía
Mas retorna sua alegria
Vendo o sonho realizado

Três árvores, um só destino
Acreditaram em seus sonhos
Do bosque lá da montanha
Aos seus momentos tristonhos
Cada sonho aconteceu
Mais belo do que nasceu
Mais vivo e cheio de som
Provando a todos nós
Que jamais estamos sós
E tudo o que Deus faz é bom!




segunda-feira, 21 de agosto de 2017

MERLANIO MAIA NO TEATRO SANTA ISABEL EM RECIFE PE

MOMENTO DO SHOW NO TEATRO SANTA ISABEL EM RECIFE/PE.
O violeiro Cristiano Oliveira e o poeta Merlânio Maia

O Poeta e o Violeiro






DIALETO NORDESTINÊS

DIALETO NORDESTINÊS
(Autor: Merlânio Maia)


Quem já foi no meu Sertão
E ouviu um falar maneiro
Viu de perto o dialeto
Nordestinês verdadeiro
A fala é canto e beleza
E imprime em nós a grandeza
Para além de certo e errado
Falamos nordestinês
E eu vou mostrar pra vocês
Cada significado

ANTONCE lá é então
Competente é ARROMBADO
“MÓI DE GENTE” multidão
Lá festa é TARRABUFADO
Confusão REBUCETÊI
“Dê a volta” é ARRUDÊI
Cabeça é CÔCO e CAXAÇO
E o poderoso é GRAÚDO
ESTRIBADO É dinheirudo
E DINHEIRUDO é ricaço

“AVIA, PESTE!” é vai logo!
LISO é cabra sem tostão
Coisa ruim lá é AGÔRO
E AZÁ é confusão
Povo fêi é TRIBUFÚ
CATREVAGE, CAFUÇÚ,
Banco lá é TAMBORETE
Mal-estar é FARNIZIM
E caquiado é PANTIM
PANTIM, manha e cacoete!

TOITIÇO lá é CANGOTE
E CANGOTE lá é nuca
Jarra d’água lá é POTE
TITELA lá é CAVUCA
Os olhos lá se diz ZÓIO
Quantidade lá é MÓIO
Lá XODÓ se diz XAMEGO
XAMEGO lá é namoro
Petulância é DISAFÔRO
PEDIR PINICO é arrego

OXENTE é OXENTE, OXENTE!
OXI é o seu diminutivo
É interjeição potente
TUBIBA é moleque ativo
PRESEPADA é MUNGANGAGE
SAFADAGE e VADIAGE
DAR NO PIRA é ir-se embora
Lá quem DEU FÉ viu e olhou
Quem INCAICÔ apertou
Se ESCAFEDEU, deu o fora

Se BATEU A SIPITICA
FINÔ-SE, FOI DE PÉJUNTO
BATEU PREXECA e XAMPRÔ
Tudo refere a defunto
Menino lá é BOCHUDO
Adolescente é TALUDO
MUÍDO é reclamação
FUXICO É CURRIXIADO
O feio é DESCONCERTADO
Sogra é a IMAGE DO CÃO

Gravidez lá é AMOJO
RAME-RAME indecisão
COTÔCO lá é pedaço
PIPOCO ali é EXPLOSÃO
Lá não tem Gay, lá tem FRESCO
TRUÇÚI é cabra grotesco
TRIATO é BUTÁ BUNECO
BUTÁ BUNECO é escândalo
QUEBRA-PAU por lá é Vândalo
BUDEGA é Bar e Boteco

CHAMBOQUE é tirar pedaço
INTURIDO é entalado
GALALAU  é gente alta
MUNDIÇA é mal educado
CANGAIÁ é cornear
SOCAR lá é enfiar
Lá CACHETE é comprimido
SIRICUTICO é desmaio
Conversa longa é EMPAIO
SOBEJO é resto comido

ENCAFIFADO é intrigado
CANGUÊRO é mal motorista
BAFO DE ONÇA, mau hálito
DAR NO PAU, pagar à vista
DE VENETA é inconstante
INFITETE é meliante
MARRA DE HOMI, homem forte
CURIÁ, ATUCAIÁ
E ATUCAIÁ é espiar
CAIPORA é cabra sem sorte

CAIXA PREGO é bem distante
Lá PEITICA é insistência
VÉA CORÓCA é idosa
Sem nada de paciência
FUÁ é cabelo armado
Lá FOLOTE é afrouxado
ATARENTADO é perdido
ESBAFORIDA é cansada
PORRETA é gente ARRETADA
E ISPIXADO é bem comprido

SEBOSO é sujo e nojento
FUBENTO é cor desbotada
BOCADO é MÓI e é muito
GAIATO é gente engraçada
PINOTE é pulo e é salto
MANÉ BESTA é leso e incauto
Lá Topada é TRUPICÃO
MIXURUCA é sem valor
GALO VÉI conquistador
E VISAGE assombração

DÁ BILÔRA e PASSAMENTO
PUZUMENO, CARITÓ,
RISPOSTÔ, DIZINXABIDO,
CAXEXÊRA, MATRICÓ,
CUM ROSCÓFE E PECENÊIS
E eu passaria um mês
Só pra dar a dimensão
De um dialeto à altura
Orgulho em nossa cultura
Nossa língua é bela e pura
Pura NORDESTINAÇÃO!

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

ASSIM É O PAI VERDADEIRO

Autor: Merlânio Maia

Pais que a própria Natureza
Levou à paternidade
Mães que são Pais com certeza,
Pais novos, pais novidades
Deus é Pai! Falou Jesus
Que o Pai provê e traz luz
Que canta e encanta e dá calor
Pai cantador do terreiro
Assim é o Pai verdadeiro
Que o Pai é a face do amor

Eu falo do Pai presente
Presente que Deus nos deu
Que na gravidez se sente
Já Pai com o rebento seu
Que chora e ri com seu filho
E o ajuda a ter seu brilho
Como amigo e protetor
Que faz da vida um celeiro
Assim é o Pai verdadeiro
Que o Pai é a face do amor

Que estimula cada passo
No brincar, falar e andar
O ensina a viver no mundo
A crescer, se libertar
Dá segurança e exemplo
E faz do seu lar um templo
Tornando-se o servidor
De olhar doce, olhar certeiro
Assim é o Pai verdadeiro
Que o Pai é a face do amor

Que se vê no filho e filha
Aconselha e orienta
Mas liberta o seu rebento
Educa, ampara e alenta
E o ensina a se portar
Ensina a amar, respeitar
Quando o filho sente dor
Chora e sofre companheiro
Assim é o Pai verdadeiro
Que o Pai é a face do amor

Ensina os olhos de ver
Os ouvidos de ouvir
E ajuda o filho a crescer
Amadurece a seguir
Ao morrer deixa o legado
De que a vida é aprendizado
E que a morte é o criador
Ensinando o tempo inteiro
Que somos só passageiros
Assim é o Pai verdadeiro
Que o Pai é a face do amor
Merlanio Maia

Poema em homenagem aos Pais verdadeiros, sejam do universo homo-afetivo, os avós, os tios, todos que assumem a função de equilíbrio emocional e segurança paternal. São Pais maravilhosos! Sintam-se homenageados!

segunda-feira, 31 de julho de 2017

QUEM FEZ?

Quem foi que fez tudo tudo
O Sol e a Lua tão bela,
Quem fez aquele brilhante
Que brilha em forma de estrela?
Quem fez o grande oceano
A montanha, o altiplano,
Dia e noite, luz e breus,
Quem fez a maternidade,
O amor, a flor da amizade
E tudo fala: Foi DEUS!
Merlanio Maia

BOM DIA, MEUZAMÔ!

quarta-feira, 26 de julho de 2017

A CARTA À PAPAI NOEL

A CARTA À PAPAI NOEL
Merlânio Maia

EU ESCREVI A CARTA AO BOM VELHINHO
FIZ COM CARINHO, CRENÇA E SINGELEZA
PEDI EMPREGO AO PAI QUE ESTÁ SOZINHO
QUE É UM ESPINHO FALTAR PÃO À MESA

E ANO APÓS ANO ESTE NOEL NÃO VEIO
POR ESTE MEIO ARRANCOU MINHA FÉ,
DESCRI DA CRENÇA NESSE VELHO FEIO
PERDI INTERESSE E SIMPATIA ATÉ

PORÉM NA ESCOLA APRENDI QUE O NATAL
É DE JESUS SENHOR DA TERRA AO CÉU
JESUS QUE AOS POBRES DEU GUARIDA E PAZ
E SEMPRE FEZ O OPOSTO DE NOEL

ENTÃO PEDI AO CRISTO ESTE FAVOR
E O PROTETOR DO MUNDO FEZ OS SEUS
ANJOS DE LUZ DAREM AO MEU PAI LABOR
HOJE COM AMOR PAPAI É GRATO A DEUS

E EU PERCEBI QUE O PAPAI NOEL
É UM PAPEL DOS RICOS PROTETOR
MAS PARA O POBRE É UMA TRISTE ILUSÃO
MAS JESUS SIM, A TODOS DÁ VALOR!

E QUANDO CHEGA O TEMPO DO NATAL
EU PEÇO A DEUS E AO MESTRE JESUS
SORRISO E PAZ A TODOS AFINAL
E ELE NOS TRAZ MAIS FÉ, AMOR E LUZ!

E AO TAL NOEL BONECO AVERMELHADO
COM O ROU-ROU-ROU QUE A ILUSÃO PRODUZ
É UM VENDEDOR ESSE POBRE COITADO
POIS O NATAL QUE CRIOU FOI JESUS!

(Merlânio Maia)

GRITO DE LIBERDADE

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GRITO DE LIBERDADE
Merlânio Maia

Despreza essa mídia louca
Que entrou na tua casa
Com imagem, som e gosto
Bem na sala abriu a asa
E hoje manda e dita norma
O que comer ela informa
Diz o que deves vestir,
Se mete no dia a dia
Dita música e melodia
Pro abestalhado ouvir

Cria modelo do belo
E te diz o que é bonito
Os teus valores destrói
E tu segue o ser maldito
Dá as ordens e obedeces
Cria o mundo que conheces
E mostra a quem odiar
És o Homem Marionete,
Que segues de sete às sete
Que não te deixa pensar!

Arranca a TV da sala
Sai da frente dessa tela
Bota a roupa que tu gostas
Abandona a moda dela
Sai a olhar pela rua
Toma a praça que é tua
Libertas-te mesmo agora
A vida é dádiva e verdade
Pensar traz felicidade
Liberdade! Liberdade!
O mundo é real lá fora!

Merlanio Maia

sexta-feira, 17 de junho de 2016

NA TRISTE NOITE DA CORRUPÇÃO

NA TRISTE NOITE DA CORRUPÇÃO
Merlânio Maia

Eis a nação que sonha embevecida
Ser um exemplo aos povos do futuro
E agora acorda em seu triste monturo
Que foi forjado ao longo de sua vida
Desde o império se inclina em descida
Com sanguessugas que sugando vão
Multiplicando sujeira em seu chão
Frente ao pomposo poder do império
Incomodando heróis no cemitério
Na triste noite da corrupção!

Seus mortos, hoje, tão desesperados
Saem às ruas, levantam bandeiras,
Dançam nas praças, alamedas, feiras...
Profundamente decepcionados
De Tiradentes escuta-se os brados
De Castro Alves a indignação
Voltam os poetas da libertação
Junto aos heróis, do além, republicanos,
Dançam nas noites contra os tais tiranos
Na triste noite da corrupção!

Se o tempo urge, a tal nação se arrasta...
Só vendo seu pobre povo humilhado,
Presenciando o roubo deste estado
Que, a cada dia, da riqueza afasta.
- Aos miseráveis, pão com circo basta!
E a liberdade escorre pela mão
E num crescendo se esparrama ao chão
No gesto tosco desse vai e vem
Só sonhadores gritam do além
Na triste noite da corrupção!

Os pigmeus da moral querem trono
Mesmo levando o país ao abismo
Ninguém vê honra, lisura, altruísmo!...
Brasil delira feito um cão sem dono
Em berço esplêndido o gigante é sono,
Enferrujado na acomodação
A idiotice contamina o chão
O povo dorme e o vazio é extenso,
Os mortos gritam vendo o mal imenso
Na triste noite da corrupção!

A hipocrisia é corrente moeda
E a mentira agora é um ideal
A mídia cria a tal versão final
E o fato perde a força e leva queda
Quem mente mais do poder não se arreda
A lama envolve e a TV faz serão,
Faz a cabeça – dona da razão!
E o povo teme e tremendo obedece.
Há uma teia que a aranha tece
Na triste noite da corrupção!

Brasil desperta, apresenta a imponência!
Acorda e grita: Independência ou morte!
Colosso impávido, de infinito porte,
Mostra a lisura da tua inocência
Chama os teus filhos plenos de decência
Expulsa o mentiroso e o ladrão
Levanta o braço de enorme nação
Que vibra dentro do teu forte povo
Faz teus heróis renascerem de novo
Na triste noite da corrupção!